Entrevistamos o executivo brasileiro Wesley Barbosa – O cara por trás do Jogo Social – Colheita Feliz

Olá amigos,

É com grande orgulho que entrevistamos o Wesley Barbosa. Um executivo brasileiro que está arrebentando na China.

Talvez você não tenha lembrança do nome dele, mas da empresa dele e o produto que produziu com certeza – o jogo social Colheita Feliz…um mega sucesso mundial.

Ele vai contar muita coisa interessante para nós nessa entrevista e foi um orgulho bater esse papo.

Um grande abraço – @reinaldocirilo

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Entrevista Wesley Barbosa


1 – Wesley, você tem uma história incrível. Conte um pouco da sua infância, família e o porquê de ter escolhido a faculdade de Marketing.

Minha família é de origem muito humilde, de muito pouco recurso. Ainda hoje minha mãe me conta histórias da minha família, de como costuravam a própria roupa para poder sair de casa e faziam rodízio desta entre eles, assim todos poderiam passear. Lembro da minha avó me falando que colocava os filhos, entre eles minha mãe, para dormir cedo pois naquele dia não teria algo para comer. Minha infância foi bem distante disso, mas mesmo assim humilde. Nunca passei fome, me criei na periferia de Maceió, Alagoas, onde até o ano passado, morei. Com poucos recursos usei muito minha imaginação, e percebi que ela era bem valorizada nas artes cênicas. Fiz teatro na Universidade Federal de Alagoas e desisti por um motivo único, eu conheci o Marketing. Meu primeiro contato com o nome foi simples, um namorado de uma amiga quem estudava e havia me falado, achei o nome bonito, decidi ler sobre ele, catei o único livro que achei em casa sobre cursos e me apaixonei pelo que li sobre Marketing. Fui fazer minha inscrição na faculdade e só tinham inscrição online, eu nem sabia o que era Windows, envergonhado voltei p’ra casa e com auxilio fiz minha inscrição do vestibular de Marketing, adivinhem, passei.

2 – Qual foi sua primeira experiência profissional?  Ela foi importante na sua trajetória?

Fui professor de Inglês para supletivo quando fazia terceiro ano do ensino médio, este foi meu primeiro emprego. Depois trabalhei como atendente de telemarketing em uma instituição de cobranças e vendedor externo na compra certa Brastemp, onde andava nas ruas de Sol escaldante de Maceió com um catálogo debaixo do braço para poder vender os produtos da linha. Esses empregos me ajudaram a perceber que eu era maior que aquilo e que poderia fazer muito mais. Fui estagiário do Centro de Convenções da Cidade e de uma agencia de recrutamento e seleção, não me encontrei em nenhum dos dois. No último ano de faculdade ganhei meu primeiro emprego em Marketing, costumo dizer que minha vida profissional começou ai, quando me tornei coordenador de Marketing do Palato Supermercado. A importância deste emprego foi tamanha que minha imagem começou a ser formada para o mercado espontaneamente, com as Ações que eu criava, as pessoas me reconheciam pelas estratégias que o supermercado executava, eu era o “Wesley do Palato”, uma fase onde o nome da empresa era considerado melhor que o meu nome. Uma fase que foi essencial para o meu conhecimento.

3 – Conte um pouco mais sobre as empresas que trabalhou no Brasil, sua consultoria, algum caso interessante, ou algo que tentou mudar e não conseguiu devido à cultura.

De fato a única empresa que trabalhei no Brasil com Marketing foi mesmo o Palato Supermercado. Iniciei um projeto de Marketing pessoal onde incluía palestras para que todos me conhecem melhor, dei consultorias para mais de 10 empresas, e muitas palestras cujo número me foge todas as vezes que tento lembrar. Lembro de ter utilizado os recursos de Dan Ariely do livro Previsivelmente Irracionais, onde explorei o comportamento humano para entender como poderia oferecer serviços de forma mais apropriada gerando mais vendas. Um desses recursos era o “produto chamariz“ onde pegamos um produto que não tinha saída e criamos um outro para que os consumidores pudessem compará-los – Segundo Ariely a mente é comparativa, estimular essa comparação da forma adequada dentro de um ponto de venda, gerará mais vendas – com a comparação o produto que não tinha saída passou a ter mais saídas que muitos outros do mesmo setor. A dificuldade que tive foi mesmo de colocar idéias novas em práticas, as pessoas não estão prontas para aceitar teu sucesso ou mesmo tuas boas idéias, a dificuldade começa mesmo dentro do setor, depois se expande para o mercado externo refletindo o mal relacionamento de equipe, dentro desta perspectiva eu falhei várias vezes até que aprendi a vender o projeto para meus companheiros e ai sim levá-lo ao mercado.

4 – Você tem uma experiência interessante, muito jovem como professor. Conte-nos, como começou essa paixão e onde e quais matérias você lecionou?

Comecei a ensinar tecnologia na Microlins quando tinha 19 anos, minhas palestras me levaram a dar aula na Estácio de Sá conhecida como Faculdade de Alagoas em Maceió nas matérias de Marketing Global, Marketing de Relacionamento e Marketing de Varejo, quando eu tinha 21 anos. Aos mesmos 21 fui professor de Branding no SENAC.

5 – E o interessante por Neuromarketing, conte um pouco do seu trabalho nessa área.

Eu queria mesmo era aparecer, se diferenciar. Procurei na internet temas sobre Marketing que a faculdade não explorava, juntei 15 pessoas e 15 temas desconhecidos e pedi para que cada um se aprofundasse no tema que quisesse para darmos palestras. Eles, meus colegas de turma, até que pegaram seus temas, mas não pesquisaram nada, apenas eu com meu Neuromarketing fui à sala dos professores e pedi permissão para dar uma palestra sobre o tema. Consegui e fui dar minha primeira palestra sobre o tema que estudei 3 anos com ajuda de livros e a internet. Hoje este mesmo tema já foi levada para vários lugares do mundo nas minhas palestras que iniciou de uma simples vontade de se diferenciar.

6 – Você recebeu um convite para trabalhar em Londres, correto? Como aconteceu e onde trabalhou?

Incorreto. Eu não recebi o convite na verdade. Eu fui fazer um intercâmbio na Irlanda, de 30 dias. Fui estudar inglês para negócios e 3 dias antes de retorna ao Brasil fui conhecer Liverpool, Manchester e Londres a convite de um amigo. Em Londres fui visitar um amigo de um amigo inglês que fiz em Maceió. Este “amigo do amigo” é Alex Glover, Diretor da Fin International em Londres, empresa de consultoria financeira e relações públicas. Alex foi um pai p’ra mim em Londres, me proporcionou um salto na minha vida e a mudou para sempre, me tornei trainee da Fin e hoje devo muito à ele tudo isto que está acontecendo agora.

7 – Mais tarde rolou a sua ida para a China, qual foi seu primeiro trabalho por lá? Você foi indicado? O idioma é o Mandarim, mas se comunicam em inglês?

Eu fui trabalhar na China saindo do Brasil, fui fazer um intercâmbio em uma empresa sino canadense, mas não deu muito certo, meu chefe não gostava muito de pessoas. Trabalhei com estratégias de marketing online para prospecção em países da Europa e mesmo Brasil. Sempre me comuniquei em inglês no trabalho, mas na rua o Mandarim é essencial, ou você tem ou você não vive.

8 – Como é trabalhar com  o povo chinês e sua diferente cultura? Eles gostam da maneira de atuar dos brasileiros ou tem certa resistência?

É difícil, a cultura é muito diferente. Eles focam no resultado e muitas vezes esquecem as pessoas, esse é o problema. A cultura chinesa é fabulosa, mas quem quiser se aventurar por lá aconselho deixar o etnocentrismo em casa e trazer contêineres de paciência. Gostam sim, esse amor pelo que faz e essa emoção em tudo que temos os encantam, aliás não só a eles, mas como a todos os outros que sentem nossa cultura tupiniquim. O Brasil é um mundo em si.

9 – O que o chinês pensa do Brasil e do nosso potencial?

Pensam “Temos que ir para lá o mais rápido Possível“, a empresa que estou está vindo este ano. Eles temem a violência no Brasil e chegam a fazer perguntas exageradas. Eu estava em um restaurante em SP e um dos chineses que estavam comigo perguntou se ele poderia comer tranqüilo ou se deveria tomar cuidado caso algum assaltante aparecesse. Eu fiquei triste e expliquei algumas das situações mais comuns do Brasil em relação aos assaltos. Eles sempre dão boas risadas irônicas e as vezes sem graça dos nossos lentos avanços tecnológicos, do mercado de novos produtos e das taxas de impostos absurdas. Quando viemos aqui, há TRÊS meses atrás, eles procuraram Ipads sem sucesso nas lojas do Brasil. Na China já havia lançado a segunda versão dele. Eles temem o crescimento do Brasil, sempre falam que nós crescemos mais lento, mas com sabedoria e resistência. Eu acredito nisso.

10 – Como é a Jornada de trabalho por lá? Muito puxada?

Para estrangeiros é a mesma que temos no Brasil, nada além. Para chineses, bem, eles dormem no trabalho muitas vezes, dependendo do cargo. Como eles focam muito em resultados, acima das pessoas muitas vezes, os profissionais na China prejudicam sua vida social para entregar esses resultados. Mas para estrangeiros existe um respeito cultural interessante, a gente consegue conciliar tudo com o auxilio e apoio deles inclusive.

11 – Hoje você está na 4ª  maior empresa de jogos do mundo a empresa a Beijing Elex, criadora do fenômeno do Facebook e do Orkut “Colheita Feliz”. Conte um pouco do seu trabalho por lá.

Eu crio parcerias e construo oportunidades para os produtos da empresa, assim como busco alternativas para ajudar na polarização da marca e dos jogos que temos. O meu papel é ajudar a Elex a ingressar no mercado brasileiro de vez, não só sendo um sucesso através de jogos, mas de sua própria marca. Quero que a marca seja mais valorizada que nossos jogos para criar um elo entre usuário e empresa, assim todas as vezes que lançarmos um jogo a confiabilidade a marca ajudará na propagação do novo produto naturalmente.

12 – A empresa desenvolve outros trabalhos para as redes sociais e internet?

Estamos estudando alguns softwares para construção. Mas nada que possa ser divulgado no momento. O que posso falar é que a Elex tem uma facilidade enorme em criar produtos sugeridos de necessidades de usuários, assim sendo o que o Brasil demonstrar como necessidade a gente pode facilmente criar e lançar.

13 – Você imaginou chegar tão longe com tão pouca idade?

Não, eu ainda paro no canto sozinho e olho para a matéria da Você S/A, leio umas 5 vezes, choro, penso no passado e no futuro, e vou dormir agradecendo a Deus e a todos que me ajudaram. Estou muito atordoado ainda, mas firme no que faço, estou seguro de que a gente deve mesmo dar o nosso melhor sempre, pois sempre haverá alguém nos assistindo, mesmo que seja apenas nós mesmos.

14 – O que é Marketing para você?

É o que torna as coisas fúteis. O que facilita. O elo. É uma escada rolante na montanha para o alpinista.

15 – Quais seus planos para os próximos anos? Pretende voltar ao Brasil, criar uma empresa desse tipo de mercado?

Não sei de fato, uma das coisas que aprendi foi que devo criar Raízes, fazer história por onde passo. Quero aproveitar a China, a empresa. Vou dar meu máximo por aqui, algumas oportunidades já apareceram e estou confiante de que meu futuro vai ser assim, com as oportunidades vindo ao ponto em que faço por onde. Se alguma delas forem no Brasil ficarei feliz. Mas por hora pretendo mesmo ficar na China. Tenho um sonho de ter um negócio próprio e ao mesmo tempo trabalhar como executivo em uma empresa paralela, mas não sei quando isso poderia acontecer, quero aproveitar meus vinte e poucos para aprender mais em um lugar como a China, me fará maior.

16 – Quais profissionais de Marketing têm grande influência no seu trabalho, blogs e demais veículos da área?

Kotler, sempre. Regis Mckenna, Geraldo Zaltman, Steve Jobs, Pessoal do @neuromkt, @mktblog, Artigos da Fundação Don Cabral, livros da Getúlio Vargas e principalmente livros de ficção que me estimulam muito como os livros de Aldous Huxley e Júlio Verne.

17 – Você é um orgulho para os profissionais de Marketing do Brasil. Sua vida não foi fácil, é batalhador e pode ser exemplo para muito menino simples do nosso país. Deixe um recado pra quem tá começando.

Muito obrigado, espero mesmo um dia ser uma referência para o meu país. Sempre falo isso para todos que estão começando, começaram ou nem se quer tiveram a oportunidade de começar. O tamanho do mundo é dado por nós, a gente é quem cria o medo e o mostro por trás dele. Vencer não é impossível, veja o mundo por diferentes tamanhos e perspectivas, escute mais a você, se olhe mais no espelho, se admire mais, se todos os seres humanos dominarem o poder de dar tamanho aos obstáculos, todos nós teremos uma história para contar, é isso, o segredo é o tamanho. Nada no mundo é maior do que você possa fazer.

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  • http://twitter.com/felipecb_ Felipe C. Barbosa

    Eu não sabia que era do mesmo criador o aplicativo do Orkut e do Facebook! Muito boa a entrevista! Eu quase comprei o livro do Dan Ariely, mas o Positivamente Irracional (creio que foi escrito depois do Previsivelmente Irracional).

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  • http://www.facebook.com/daniel.c.santos Daniel Castro Dos Santos

    gostei da entrevista….que baita carreira meteorica ele teve…

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  • Lucasgabrielcezario

    E Isso Aew Primao Batalho Tanto E Chego ao Topo ass: primo lucas gabriel 13 anos Adoro os jogos dele primao

  • Lucasgabrielcezario

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  • Patricia soares

    siga sempre em frente wesley,mostre a todos qual seu potencial!fico muito feliz em saber que aconteceu tudo isso em sua vida, vc e o maior orgulho do estado de alagoas.xero!!!!!!! 

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